Ex-embaixador diz que Angola é um país "governado
por criminosos"
23-04-2013 19:51
Tendo por base um
relatório duas ONGs, Adriano Parreira afirmou que "as vítimas"
são os angolanos, que continuam a ser empobrecidos pelo seu próprio Governo.
O antigo embaixador de
Angola junto da ONU, em Genebra, Adriano Parreira, considera que o país é
"governado por criminosos" e as vítimas da corrupção são os
angolanos.
"Angola é governada por criminosos",
disse esta terça-feira, em Bruxelas, num debate promovido pela eurodeputada
portuguesa Ana Gomes (PS), nas instalações do Parlamento Europeu, sobre o
relatório "Deception in High Places", que denuncia um alegado negócio
de corrupção entre Angola e a Rússia.
"As vítimas são os angolanos, que continuam
a ser empobrecidos pelo seu próprio Governo", salientou o ex-embaixador,
que interveio no debate, referindo-se às indicações do relatório das
organizações não-governamentais “Corruption Watch” e a Associação Mãos Livres.
Segundo o relatório, altos responsáveis de Luanda
- incluindo o Presidente – podem ter estado envolvidos num contrato de
restruturação de dívida à Rússia, nos anos 1990, que terá lesado Angola em mais
de 700 milhões de dólares.
"É chocante a facilidade dos negócios
sujos, de como são feitos aos olhos de todos", salientou, reiterando que
foi já apresentada uma queixa junto da Procuradoria-Geral da República em
Luanda, da qual é um dos autores.
De acordo com o relatório, em causa está um
acordo para reestruturar a dívida de Angola à Rússia que data dos anos 1990 e
que terá beneficiado várias figuras do regime e intermediários.
Distribuição
de dinheiro
"Como partes centrais do
contrato estiveram Pierre Falcone e Arcadi Gaydamak", dois empresários
envolvidos no escândalo Angolagate, sobre venda ilícita de armamento francês a
Angola nos anos 1990, um caso julgado em 2009 em França, refere um comunicado
da organização anti-corrupção com sede no Reino Unido e da Associação Mãos
Livres, defensora de direitos humanos, composta por advogados e com sede em
Luanda.
Angola entregou à Rússia notas promissórias no
valor de 1,5 mil milhões de dólares, que tencionava pagar ao longo de 15 anos,
mas a Rússia envolveu no negócio a intermediária Abalone Investments
(constituída pelos empresários Gaydamak e Falcone) que viria a comprar essas
notas à Rússia a metade do preço, com pagamento durante sete anos.
Luanda, no entanto, pagou à Abalone os 1,5 mil
milhões de dólares para liquidar as "notas promissórias", pagamentos
que eram provenientes da petrolífera estatal angolana, Sonangol, e envolveram o
banco suíço UBS.
Segundo o relatório divulgado pelas ONG, o
negócio terá beneficiado o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, em 36
milhões de dólares, enquanto cerca de 38 milhões de dólares foram distribuídos
por quatro outros altos funcionários públicos angolanos.
Nas recomendações do relatório, as ONG instam a
União Europeia a garantir que a directiva (lei europeia) sobre branqueamento de
capitais preveja fortes controlos sobre o registo de proprietários de empresas.
Fonte: RR
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=105086
Etiquetas: Angola, Corrupção, Direitos Humanos, África